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 versão Flash

Jean-Paul
 LUBLINER


 




 
   Edição bilíngüe:
   Inglês / Francês
   Fotógrafo: Jean-Paul Lubliner
   Data de publicação: Janeiro de 2000
   Edição chinesa 2005 em fase de elaboração



   41, rue Damrémont - 75018 Paris
   Telefone : +33 1 42 51 24 32
   Fax : +33 1 42 23 51 01
   Objectif2000@apachdiff.fr
Jean-Paul Lubliner
Extrato

As quatro ou cinco horas da madrugada, eu estava lá, fora.
Foi a primeira foto. No dia seguinte, recomecei, assim. O terceiro dia e o quarto, foi automático. Não pensei. Mas o quinto dia... tudo mudou. Só então realizei que estava neste projeto louco. Só então decidi embarcar. Precisava me equipar: câmaras, mochilas, filmes. Estava pronto.
A minha vida, neste instante, no fim duma forma de vida, precisa de outra coisa. Frente a dificuldade da existência, ao vazio que me rodeia, devo elevar os olhos, realizar, acordar espiritualmente. A vida é freqüentemente bondosa, como uma batida de asas furtiva, inalcançável, que suspende: é preciso ter confiança nela, ela lhe dará sua chance. Eu sempre quis organizar um projeto ambiçoso. Um projeto que me obrigue a ir além dos meus limites para me regenerar. Cada um escolhe seu jeito de meditar, eu escolhi ficar no centro da cidade. Comungar com ela, num espaço tão familiar, que nunca tinha observado, apreciado, na verdade.
Estou frente a mim mesmo, em pânico. Descubro essa área que parece imensa, estranha, hostil. Estou perdido, sem pontos de referência. Ela, esplêndida, imensa, se ergue frente a mim. Totem moderno na cidade, torre de uma batida de asas furtiva, inalcançável, que suspende: é preciso ter confiança nela, ela lhe dará sua chance. Eu sempre quis organizar um projeto ambiçoso. Um projeto que me obrigue a ir além dos meus limites para me regenerar. Cada um escolhe seu jeito de meditar, eu escolhi ficar no centro da cidade. Comungar com ela, num espaço tão familiar, que nunca tinha observado, apreciado, na verdade.
Estou frente a mim mesmo, em pânico. Descubro essa área que parece imensa, estranha, hostil. Estou perdido, sem pontos de referência. Ela, esplêndida, imensa, se ergue frente a mim. Totem moderno na cidade, torre de ferro omnipresente. Na frente dela, só vejo ela. Estou bloqueado. Olho em redor, procuro pontos de referência. Me concentro no contador. Eu que nunca estou disponível, sempre com pressa, estava me impondo uma pausa sadia. E tem a fotografia. É um velho sonho que me intimida. Finalmente, faço. Dois semanas mais tarde, aprendo a me desligar do meu modelo: incluo as primeiras personagems na história. Um ciclista de costas e no dia seguinte um homem de frente. Essa vida na imagem abre outros horizontes. Começo a me apaixonar. Sei que posso continuar.
Os dias decorrem… Escapo da minha nostalgia, das minhas rotinas, resisto. Conheço o momento importante. É um enfrentamento comigo mesmo. A libertação não está longe. O céu de Paris… Há quantos dias, quantos anos, não olhei para ele ? Hoje é meu, também são meus os pássaros, as árvores, a água, os sons da cidade… Descubro a arquitetura, depois as pessoas. Aqueles que moram perto e vem passeiar com o cachorro, aqueles que fazem cooper, os turistas também, e todos aqueles que vem manifestar na Praça da Liberdade e dos Direitos Humanos, lugar de reivindicação por excelência.
A lembrança generosa do meu pai, grande humanista, volta para mim, me protege.
 
Os comerciantes me reconhecem e me cumprimentam : a vendedora de pasteis e de algodão doce, o vendedor de sanduíches árabes… 200 metros à esquerda, 200 metros à direita, continuo a minha exploração. Me livrando das minhas obsessões, descubro as dos outros. Aqueles que viajam o mundo inteiro de bicicleta, moto ou patins, e cujo percurso inevitavelmente passa um dia pelo Trocadero. E também tem a alegria que brota do local : a dança, os tamborins, os gramados… Aos poucos vou recuperando minha alegria de viver. E se às vezes sobram dúvidas sobre a finalidade deste projeto, sobre minha capacidade de me renovar, eu sei que fui longe demais para voltar atrás. Dois meses transcorrem…
Chega o verão. As pessoas abandonam Paris e eu fico sozinho na minha prisão parisiense. Não posso passar um dia só longe deste projeto que finalmente vai além de mim. Contudo, bolo um jeito : descubro que se tiro uma foto logo antes da meianoite e outra logo apois, disponho de trinta horas de liberdade. Pego o Eurostar para fugir a Londres. Um tempinho roubado.
Quando me sinto sereno, acontece que uma angústia pérfida vem me submeter. Renovar-se, sempre e mais, que aposta louca ! Mas nada pode estragar este prazer imensurável : procurar e achar a minha foto. Meu olho se acostuma. Enxerga a foto antes que ela exista, cada vez mais atento, cada vez mais livre. E em cada ocasião, é um presente. A obsessão nunca me persegue além deste parâmetro elétrico. De volta em casa, nos meus sonhos, não permiti que ela me invadisse uma vez só.
Como numa maratona, os últimos quilômetros são os mais difíceis. Principalmente o último mês. Devo entregar ao diário " Le Monde " duas fotos por dia. Publicam somente uma, usando do direito de escolher. Não obstante, sem importar minha lassidão, as minhas fotos me levam, me alimentam. Desse jeito, me esqueço de tudo. Incluindo essa excitação que aumenta. Estou atingindo minha meta. Que meta ? O ano 2000 ? Ingresso firme no futuro. Estou no meu porvir. Sinto vertigem. Saboreio o momento. Atingi meu limite. O limite desta viagem imóvel. Agora eu sei que cada dia da minha vida será uma busca do melhor momento. Um acordo comigo mesmo, com meu instinto, a minha verdadeira inspiração, como acontece com cada uma das minhas fotos.

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