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Jean-Paul
 LUBLINER


 
Uma viagem imóvel
Jean-Paul Lubliner

No cotidiano deste último ano do século, todos os dias, desde o 1ro de janeiro de 1999 até a virada do ano 2000, Jean-Paul Lubliner tirou uma foto freqüentemente insólita da Torre Eiffel.
Fotografando cenas surpreendentes da vida parisiense, no amanhecer, ao meio-dia ou a meia-noite, com as cores e o ritmo das quatro estações do ano, Jean-Paul Lubliner incorpora em cada foto o cartaz luminoso acima da Torre Eiffel que esmiuça o decorrer de cada dia rumo ao ano 2000.
Continuidade? Finitude? Transição? Angústia? Materialidade? Espiritualidade? Promessa?

 
Ao evocar a idéia que o levou ao pé da Torre Eiffel para ilustrar o último ano do século, Jean-Paul LUBLINER diz que suspeita que o verdadeiro objeto da sua procura é o tempo. Atração do contador luminoso ritmando irreversívelmente, no segundo andar do monumento, a fuga dos dias rumo ao ano 2000? Necessidade de perenidade frente a eterna juventude dessa longa estrutura de ferro, orgulhosamente acampada na paisagem parisiense? Ou réplica do artista -portador de infinito se for- à técnica duma profissão, que só conhece o instante?
De tudo isto tem, com certeza, no procedimento deste fabricante de imagens, cujo olho espreita a ultravida. Sendo que aqui a realidade é só o pretexto para a busca do fotógrafo; o disparo da sua câmara só acontece frente a situação estranha, inesperada, insólita, mais verdadeira do que a verdade mesma, e nós perguntamos, diante do resultado, quem possui maior espírito: é o sujeito que passa ou aquele que espreita?
A obra de LUBLINER tem as cores e a mobilidade dum teatro. O gesto capturado, a cena descrita, são mudos só em aparência. Cada uma das fotografias ganha sentido e lá surge o texto.
Por meio deste álbum, além de tudo ele nos oferece uma bela história, a do ingresso da Torre Eiffel no ano 2000 e da complicidade que estabelece com seu entorno. Com certeza existe aquilo que lhe é familiar e também é familiar para nós: o céu, o Sena, as árvores do Campo de Março, o Trocadero, a Ponte de Iena. Permanência! Mas tem igualmente tudo o que é animado, todos os que a animam: parisienses de sempre, parisienses por uns dias apenas, vindos de longe, as vezes de muito longe, para tutear ao passar esse "Mecano" gigante que lhes fala da própria infância.
A magia da Torre, sua universalidade, esse jeito que ela tem de utilizar toda sua coqueteria, na sombra das nuvens, brilhando no sol, iluminada toda noite, difícilmente tenham achado uma tradução mais fiel, escrita no gesto e no rosto daqueles que a contemplam, ou simplesmente se aproximam dela.
Eles passam... ela permanece.
Não sei se Jean-Paul LUBLINER obteve resposta do tempo que quis questionar olhando as últimas páginas do século XX. Mas se não fez falar a Esfinge, deu sim muita eloqüência a seu talento.

Jacqueline NEBOUT
Ex-Presidenta-Diretora da Sociedade Nova Explotação da Torre Eiffel

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